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Projeto preserva memória da resistência a regimes autoritários da América Latina

  • Publicado: Quarta, 08 de Agosto de 2018, 15h05
  • Última atualização em Quarta, 08 de Agosto de 2018, 16h10

Plataforma disponibiliza documentação sobre as graves violações ocorridas nas ditaduras da América Latina

Por Ivanir Ferreira - Editorias: Ciências Humanas

 

Foto: Reprodução / Site Memória e Resistência

 

Já está disponível na web importante ferramenta de preservação da memória e resistência aos regimes totalitários impostos aos países da América Latina. O período abrange entre as décadas de 1960 e 1990, quando houve graves violações dos direitos humanos e à democracia. O site é resultado de pesquisa feita no curso de Biblioteconomia e Documentação, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, e sistematiza informações de 56 instituições entre bibliotecas, museus, sites e blogs, do Brasil, da Argentina, Bolívia, Chile, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.

As instituições de memória política da América Latina surgiram por iniciativa dos próprios familiares de mortos e ou desaparecidos políticos, vítimas de repressão das ditaduras civis-militares, mas, posteriormente a causa também passou a ser de responsabilidade do Estado. Segundo Mariana Ramos Crivelente, autora da pesquisa, foram estas instituições que mais tarde fomentaram a criação de comissões da verdade e estimularam a participação cidadã nas ações em busca da verdade e de reparação de direitos. 

Segunda a pesquisadora, existem muitas informações sobre a temática da ditadura e do pós regime totalitário, porém, os dados estavam dispersos em espaços e localidades diversas, afirma Mariana. “Sem falar na ausência e na precariedade destas instituições, que acabam revelando a fragilidade da democracia em toda a América Latina”, reforça. Do Brasil, foram selecionadas dez instituições, entre elas o Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro, o Centro de Documentação e Memória Sindical da Central Única dos Trabalhadores e o Memorial da Resistência de São Paulo.

Um aspecto que considerou relevante em sua pesquisa foi observar que os regimes militares desse período, incluindo o que ocorreu no Brasil, foram na verdade ditaduras civis-militares. Os regimes foram instalados por meio de golpes de Estado com participação não apenas das Forças Armadas. As elites nacionais, apoiadas por setores das classes médias se associaram aos militares com a finalidade de assegurar a manutenção do status quo, garantir a estabilidade do pacto de dominação e implementar, por meio da violência política sistemática e institucionalizada, uma nova ordem de desenvolvimento capitalista dependente.

A proposta do trabalho foi construir um canal de difusão na internet para dar acesso aos documentos que retratam este momento histórico. A pesquisadora acredita que seu trabalho gere reflexão nas pessoas e promova ações que contribuam para o exercício da cidadania. “Que os jovens possam conhecer melhor a história do próprio País e possam lutar para que episódios grotescos dos regimes ditatoriais não voltem a acontecer nem no presente e nem no futuro, avalia. 

A pesquisa foi realizada em 2016 e 2017 e reuniu 56 sítios (instituições) de memória política na América Latina. A página na web é considerada importante fonte de informação para pesquisadores e para a população de uma forma em geral. O projeto foi apresentado no Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica (SIICUSP) da USP em 2017 e para o MUSSI – Médiations des saviors: la mémoire dans la construction documentaire, realizado na França em junho de 2018.

Mais informações: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., com Mariana Ramos Crivelente. Acesse o site e conheça todo o acervo sobre o assunto.

Fonte: Jornal da USP, 07/08/2018
Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/projeto-preserva-memoria-da-resistencia-a-regimes-autoritarios-da-america-latina/ 

 

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