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Exposições

Apresentação  1964: A queda  1968: Cai o pano  Créditos

As fotos de milhares de pessoas reunidas em comício diante da estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em março de 1964, à espera do presidente João Goulart, conduzido ao cargo três anos antes em conseqüência da renúncia inesperada de Jânio Quadros, tornaram-se um dos registros mais significativos de um governo que seria derrubado poucos dias depois. Imagens de um início de década marcado por mobilizações populares cujas demandas eram, em boa parte, encampadas por setores das elites, o trabalho produzido pela Agência Nacional acompanha os anos em que um regime de exceção silenciou as reivindicações de mudanças estruturais que João Goulart — Jango — defenderia naquela noite de março.

O comício, em que o presidente defendeu a implementação imediata das chamadas reformas de base, acabou por se integrar a uma cadeia de eventos que culminou com a deposição do presidente. Entretanto, tais eventos — que incluíam também a Revolta dos Marinheiros e o discurso do presidente no Automóvel Club, ambos em março, no Rio de Janeiro — inseriam-se em um cenário amplo de instabilidade e confronto, dentro e fora do país. Nos primeiros dias de abril, diante da resistência pífia e contrariando a Constituição brasileira, o presidente da Câmara dos Deputados declara a vacância do cargo de presidente da República, com João Goulart ainda em solo brasileiro.

O contraste entre as imagens apresentadas é significativo: os registros de um presidente aclamado pelo povo em um comício a céu aberto dão espaço a reuniões de gabinetes e governantes fardados.

Um dos principais articuladores do golpe e chefe do Estado-Maior do governo João Goulart, o marechal Castelo Branco acabou por surgir como um nome de razoável aceitação, entre os conspiradores civis e militares, para o cargo de presidente da República. Signatário, em princípios de 1964, de um manifesto conclamando os militares a assumirem a linha de frente na luta contra o governo “subversivo”, sua escolha, contudo, não deixou de ser marcada por alguns confrontos e polêmicas.

Castelo Branco era, até o golpe, uma figura discreta e pouco conhecida, e alguns jornalistas chegaram a ter dificuldades em encontrar fotos suas para estampar os jornais. Assumindo a presidência em 11 de abril de 1964, por força do primeiro Ato Institucional, Castelo anunciou que se propunha a cumprir um “mandato-tampão” que permitisse um retorno à “normalidade democrática”.

Contudo, o regime caminhava para um endurecimento crescente. Em uma atitude bastante significativa, o presidente Castelo Branco deixou de realizar os encontros com jornalistas no Palácio da Alvorada logo depois da edição do AI-2, que extinguia os partidos existentes e estabelecia eleições indiretas para presidente da República. Embora avesso à publicidade, que associava ao personalismo típico da era Vargas, Castelo Branco tentara, de início, manter uma imagem moderada através de aproximações ocasionais com os meios de comunicação como forma de buscar apoio ao regime.

Após dois anos, dois atos institucionais, uma Constituição imposta ao Congresso Nacional, um sem-número de cassações e prisões por motivos políticos, o marechal entregaria o cargo a um de seus maiores desafetos: o general Artur Costa e Silva.

 

Galeria de imagens - 1964: A queda

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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