Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página
Exposições

Apresentação  O serviço secreto   A repressão   A reação   Luta pela democratização   Créditos

Os arquivos do SNI formaram-se, inicialmente, com os dados dos arquivos do extinto Serviço Federal de Informações e Contra-informações (SFICI) e do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (Ipes).

O SFICI foi criado em 1958 e integrava o Conselho de Segurança Nacional. A partir de 1961, ficou sob a coordenação do então coronel do Exército Golbery do Couto e Silva, tendo como principal função identificar e espionar comunistas nas Forças Armadas. O arquivo do SCIFI era formado por milhares de fichas que relacionavam funcionários públicos, dirigentes sindicais, redatores de imprensa, signatários de manifestos políticos, entre outros.

Com a posse do presidente João Goulart, em setembro de 1961, Golbery deixou o SFICI e, alguns meses depois, passou a dirigir o Ipes, criado oficialmente para ser um centro de estudos reunindo técnicos, militares e empresários, com o objetivo de propor reformas para o país. Informalmente, o Ipes continuou a alimentar um banco de dados com informações estratégicas e realizou inúmeras ações de doutrinação anticomunista, como palestras, eventos culturais e publicação de livros e folhetos. Os empresários garantiam o funcionamento desse serviço secreto paralelo, destinando-lhe vultosos recursos. Do arquivo do Ipes foram transferidas para o futuro Serviço Nacional de Informações, criado logo após o golpe de 1964, as informações pessoais sobre centenas de cidadãos brasileiros.

De certo modo, a eficiência demonstrada pelo SNI deveu-se à obediência dos preceitos da hierarquia e da centralização sistêmica. O ministro-chefe do Serviço era, em geral (com exceção de Golbery), um general-de-exército; a Agência Central era comandada por um general-de-divisão e as agências regionais por um oficial superior (tenente-coronel ou coronel). Já os centros de informações das Forças Armadas eram chefiados por um general-de-brigada e os órgãos setoriais de informações instalados nos ministérios civis, como as Divisões de Segurança e Informações (DSI) e as Assessorias de Segurança e Informações (ASI), por um oficial superior. Assim, a cadeia de comando militar estava no cerne organizacional do SNI e de toda comunidade de informações. O órgão possuía a seguinte estrutura: Gabinete do Ministro, que ficava no Palácio do Planalto; Agência Central, sediada em Brasília; e agências regionais nos estados do AM, BA, CE, GO, MG, MS, PA, PR, PE, RS, RJ e SP. Ainda em sua estrutura, estavam a Secretaria de Administração e a Escola Nacional de Informações (EsNI).

Os agentes do SNI produziam relatórios com informações e avaliações sobre o governo e o setor público em geral, relatórios externos com dados diversos sobre "países antagônicos" e "países amigos", e os denominados "relatórios psicossociais" que analisavam o comportamento dos principais agentes e instituições da sociedade. Estavam nesse conjunto as igrejas, os sindicatos, as entidades estudantis, a imprensa, os movimentos sociais. Além destes documentos, o SNI ainda produzia, no âmbito do gabinete do seu ministro-chefe, as “Apreciações Sumárias”, documentos sintéticos, elaborados a partir de informações produzidas pela Agência Central, para serem lidos apenas pelo próprio chefe do SNI e pelo presidente da República. Uma das bases de dados do SNI, denominada Cadastro Nacional (Cada), era consultada pelos órgãos do governo, sendo utilizada para avaliação dos candidatos à admissão e promoção na administração pública. Muitas das punições impostas pelo regime militar decorreram destas informações ou recomendações elaboradas pelo órgão.

Em 15 de março de 1990, no primeiro dia do governo do presidente Fernando Collor, o SNI, um dos ícones da ditadura militar, foi extinto.

 

 

Galeria de imagens - O serviço secreto

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fim do conteúdo da página